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Obesidade Infantil – Preocupação também dos FastFoods

Produtos dietéticos ocupam, cada vez mais, quilômetros de prateleiras nos supermercados e vastos espaços de anúncios em jornais, revistas e televisão. Todos, no entanto, têm um público-alvo muito bem definido: são para adultos. No máximo, adolescentes. Durante décadas, com maior ou menor dose de razão, cultivou-se a idéia de que criança não combina nem com regime, quanto mais com adoçantes e outros substitutos artificiais de substâncias engordativas. Agora, com um terço da população infantil do planeta a caminho da obesidade, a situação começa a mudar. Lentamente, mas começa.

Nos Estados Unidos, onde cerca de 20% das crianças estão acima do peso, a indústria alimentícia se movimenta numa ação quase conjunta nesse sentido: de uma hora para outra, salgadinhos e biscoitos passaram a conter menos gordura; cereais matinais e balas, menos açúcar; e sucos, menos calorias – todos os produtos dirigidos especificamente aos menores de 10 anos. Em parte, genuína preocupação com a saúde das novas gerações. Em parte, como observa o jornal The New York Times em reportagem recente sobre o tema, uma espécie de escudo preventivo contra processos que coloquem a culpa da obesidade infantil em lanchonetes e fabricantes de alimentos. “Há hordas de advogados fiscalizando, mais do que nunca, as práticas de marketing da indústria”, diz Marion Nestle, professora de nutrição da Universidade de Nova York.

Alarme soado, redes de lanchonetes infiltram sucos, frutas e verduras no cardápio kids – inclusive o McDonald’s, que passou a anunciar lanches “saudáveis” diante do efeito devastador (mas é só coincidência, insiste) do documentário Super Size Me, sobre as conseqüências no organismo de um mês inteiro de refeições exclusivamente feitas na rede. Coca-Cola e PepsiCo planejam, ambas, introduzir nas escolas programas de incentivos e prêmios para crianças que comam melhor e se movimentem mais. “A indústria de alimentos pode desempenhar um papel construtivo, oferecendo produtos mais saudáveis e anunciando de forma a torná-los mais atraentes”, afirma, cheio de zelo, Brock Leach, responsável por produtos inovadores na PepsiCo.

A Kellogg’s, fornecedora dos cereais que nove entre dez americaninhos comem no café-da-manhã, lançou um Froot Loops com menos açúcar nos Estados Unidos e um Frosties igualmente menos açucarado na Inglaterra – onde a quantidade de açúcar em todos os alimentos infantis deve ser regulamentada a partir de março do ano que vem. Prevenindo-se contra reações adversas do público britânico, bombardeado nos últimos meses por relatórios adversos sobre alimentos infantis, a empresa comprometeu-se ainda a tornar seus anúncios dirigidos a crianças mais “responsáveis socialmente”. Não conseguiu até agora grande sucesso: o Frosties continua sendo, para a Agência de Padronização de Alimentos da Inglaterra, inadequado, com 25% de açúcar, contra 38% da versão tradicional (o máximo recomendado é 10%).

Não que a indústria esteja disposta a assumir integralmente a responsabilidade pelas crianças obesas do mundo. A televisão, o videogame, o computador, a pouca ênfase em exercícios físicos na escola são fatores que ela costuma citar para explicar o problema. Sem falar, é claro, nos pais – em última instância, os maiores responsáveis pelos hábitos alimentares de seus filhos.

“Não conheço nenhuma criancinha que pegue o carro, dirija até o supermercado e compre sua própria comida”, ironiza Dan Jaffe, vice-presidente da Associação Nacional de Anunciantes dos Estados Unidos. “Culpar a indústria não ajuda a encontrar uma solução”, avisa Richard Martin, porta-voz dos Fabricantes de Alimentos da América. “Só conseguiremos resultados trabalhando juntos, e não apontando culpados.”

A obesidade Infatil no Brasil

No Brasil, a fabricação de salgadinhos e biscoitos “saudáveis” praticamente inexiste. Produtos com menos açúcar ou gordura são, sim, recomendados por pediatras para crianças com problemas de peso, mas esse não é o público a que a propaganda se dirige. A Batavo será a primeira fabricante a explorar o filão infantil: pretende lançar em outubro um achocolatado com “menos calorias” voltado especificamente para os pequenos. “Usar produtos light no sentido de diminuir a ingestão de gordura em alimentos que fazem parte da rotina da criança é válido. Mas não se deve utilizá-los como solução para a perda de peso”, diz Angela Spinola, chefe do setor de endocrinologia pediátrica da Universidade Federal de São Paulo.

Os mais céticos sobre as mudanças que a indústria anda implementando dizem que o padrão nutritivo das guloseimas nunca será grande coisa. Isso porque açúcar, sal e gordura são responsáveis por uma boa porção do sabor das bobagens que criança adora. “Se um fabricante parar de usá-los, um concorrente aparece na mesma hora para preencher o vazio”, diz Walter Willett, chefe do departamento de nutrição da Escola de Saúde Pública da Universidade Harvard.

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