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Principal causador da hipertensão.

Depois da guerra travada contra o tabaco e o açúcar, as autoridades de saúde agora miram suas armas para outro vilão da dieta: o sal. Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira pelo Ministério da Saúde mostra que a proporção de brasileiros com hipertensão arterial cresceu de 21,5%, em 2006, para 24,4% em 2009.

O levantamento, que entrevistou 54 mil adultos, concluiu que, apesar de terem aumentado em todas as faixas etárias, os casos de hipertensão cresceram sobretudo entre os idosos – 63,2% das pessoas com 65 anos ou mais apresentam o problema. Em 2006, esse porcentual era de 57,8%.

Pesquisas científicas já comprovaram a relação direta entre o consumo de sal e a hipertensão arterial, um dos grandes males de saúde pública no mundo. De acordo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, um brasileiro consome em média 12 gramas de sal por dia, quando o recomendado seria limitar essa ingestão a 6 gramas. Em geral, a quantidade é alta porque, além do sal contido no alimento industrializado, as pessoas não dispensam o saleiro durante as refeições.

O consumo de sal tornou-se um assunto de saúde pública. Na semana passada, o Institute of Medicina (IOM), agência independente criada pelo Congresso americano para promover a saúde pública, cobrou do órgão regulador de alimentos dos EUA, FDA (Food and Drug Administration), atitudes mais específicas no controle de sódio na alimentação. O objetivo nos Estados Unidos é diminuir a incidência de hipertensão e combater a mortalidade por doenças cardiovasculares. Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Stanford em março mostrou que se a quantidade de sal fosse reduzida em 9,5%, milhares de vidas seriam poupadas.

Para a IOM, é preciso criar novos padrões federais para que a indústria alimentícia, os restaurantes e as empresas de alimentos façam reduções gradativas na quantidade de sal em seus produtos. Por enquanto, o FDA afirmou que pretende incentivar mecanismos voluntários de redução de sal nos alimentos, mas não definiu regras.

No Brasil – Autoridades brasileiras de saúde seguem na mesma direção. Nesta segunda-feira, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, representantes da comunidade médica participam em Brasília do encontro que debate o tema com autoridades governamentais.

“Temos o apoio das comunidades científicas e da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para discutirmos alternativas que colaborem com a redução do sal nos alimentos”, diz o cardiologista Marcus Malachias, presidente do Departamento de Hipertensão da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). “Uma das propostas que pretendemos apresentar é a criação de incentivos para que os fabricantes de alimentos reduzam os teores de sal nos produtos.”

A batalha das autoridades contra o uso exagerado de sal esbarra, no entanto, nos argumentos de boa parte da indústria alimentícia. A redução do sal interfere diretamente no sabor dos produtos industrializados, mas não é só.

“Ele também é um dos principais conservantes dos alimentos”, explica Luiz Aparecido Bortolotto, cardiologista do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Hipertensão. “Enquanto essa mudança não ocorre na indústria, é preciso concientizar a população a reduzir o sal na alimentação diária. Tirar o saleiro da mesa, usar ervas e outros temperos como alternativa.”

Inimigo da saúde – O problema do consumo excessivo de sal é que ele provoca retenção de sódio e água nos rins, o que aumenta o volume de sangue em circulação. Com uma quantidade maior de sangue nas paredes das artérias, a pressão arterial fica mais alta.

O levantamento divulgado hoje mostra que a doença não é ocorre apenas entre os idosos. Entre a população até 34 anos, 14% dos entrevistados apresentam pressão alta. E a proporção de hipertensos é maior entre mulheres (27,2%) do que entre homens (21,2%).

“O grande perigo da hipertensão está no fato de ser uma doença silenciosa. Ela não apresenta sintomas”, explica Malachias. Por isso, é importante conferir a pressão pelo menos uma vez por ano. Uma Pressão considerada normal para adultos é aquela igual ou inferior a 12 por 8.

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